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CRC
1. INTRODUÇÃO
Seja bem-vindo ao estudo da disciplina de Sociologia da
Educação. Neste Caderno de Referência de Conteúdo, você encon-
trará o conteúdo básico das seis unidades em que se divide esta
disciplina. Você encontrará, também, exercícios de autoavaliação,
além das atividades e interatividades propostas no Caderno de
Atividades e Interatividades.
Cremos que os conteúdos aqui apresentados são suficientes
para a sua iniciação à discussão de temas cujo conhecimento é
imprescindível tanto à formação do educador quanto à do edu-
cando.
A primeira unidade, Breve Introdução à Sociologia: evolução
e método, apresenta uma breve introdução à Sociologia com a pro-
posta de constatarmos que a reflexão sobre os fenômenos sociais
tem uma longa tradição, muito anterior ao surgimento da Sociolo-
gia como ciência.
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© Sociologia da Educação
Com a temática Educação e sociedade: um ponto de vista dos
teóricos clássicos da Sociologia, apresentada na segunda unidade,
buscamos �������������������������������������������������������
a compreensão sobre qual foi a questão social que colo-
�����������������������������������������������������
cou a sociedade em um plano de análise científica e como emerge
a educação nesse cenário.
Na terceira unidade, Modos de educar segundo desmembra-
mentos do pensamento clássico: Sociologia e Educação no Brasil,
tratamos das diferentes repercussões que a questão básica da So-
ciologia �����������������������������������������������������������
(����������������������������������������������������������
o que torna possível a organização social das relações en-
tre os seres humanos?) teve no pensamento sociológico brasileiro
no campo da educação.
Para a quarta unidade, Educação, socialização e cultura: as-
pectos diferentes de um mesmo processo social, nossa tarefa é,
sobretudo, tentar reconhecer que existem diferentes processos de
socialização, educação e cultura e que cada grupo social organiza
maneiras diferentes de ser, segundo sua história.
Descoberta permanente: uma possível interface entre a di-
versidade cultural e o espaço escolar refere-se à quinta unidade,
diante da qual se propõe constituir conhecimentos sobre o tema
da diversidade cultural com base nos Parâmetros Curriculares Na-
cionais, como elemento de reflexão na formação de professores e
de professoras.
Finalmente, na sexta unidade, Educação e globalização: ar-
ticulações e antagonismos, procuramos organizar uma perspectiva
de como se reflete na educação a necessidade de atender às mu-
danças sociais e às permanências sociais resultantes da dinâmica
da globalização.
Após esta introdução à temática principal de Sociologia da
Educação, apresentamos, a seguir, no tópico Orientações para o
estudo da disciplina, algumas orientações de caráter motivacional,
dicas e estratégias de aprendizagem que poderão facilitar o seu
estudo.
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© Caderno de Referência de Conteúdo
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2. oRIENTAÇÕES PARA O ESTUDo DA DISCIPLINA
Abordagem Geral da Disciplina
Responder que sentido faz para nós e, em especial, para a
nossa educação o que os pensadores da Sociologia escreveram e
escrevem em um momento no qual a nossa sociedade se debate
intensamente entre a tradição e a inovação está entre as preocu-
pações presentes nesta Abordagem Geral da Disciplina, na qual
fazemos uma introdução necessária ao estudo da disciplina Socio-
logia da Educação. Como é característica dos textos introdutórios,
apresentamos este conteúdo de forma sintética e, ao mesmo tem-
po, geral e simples, evitando, assim, superficialidades.
Para isso, é preciso mostrar que a Sociologia da Educação
não apenas estuda a escola, como também está atenta à emergên-
cia e ao desenvolvimento de outros contextos e processos de edu-
cação e de aprendizagem, os quais ganham crescente importância
e visibilidade no mundo contemporâneo. Buscamos compreender,
assim, como se estruturam as nossas condutas no complexo con-
texto social para que você possa desenvolver uma postura que se
traduza em ações autônomas na vida social e no campo da educa-
ção.
Apresentar um texto de Sociologia da Educação a você sig-
nifica convidá-lo para refletir sobre um campo que tem muito a
contribuir para a compreensão do ser humano contemporâneo.
Isso porque, indiscutivelmente, a Educação pode ser um meio pri-
vilegiado de emancipação e um instrumento que possibilita ao ser
humano determinar o seu presente e preparar o seu futuro, o que
indica a sua importância no processo de transformação da socie-
dade e dos indivíduos.
A partir dessas possibilidades, mediante as perspectivas cria-
das pelas aproximações entre Sociologia e Educação, organizamos,
para esta disciplina, um conteúdo fundamentado em seis unida-
des:
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© Sociologia da Educação
1) Breve introdução à Sociologia: evolução e método.
2) Educação e sociedade: um ponto de vista dos teóricos
clássicos da Sociologia.
3) Modos de educar segundo desmembramentos do pen-
samento clássico: Sociologia e educação no Brasil.
4) Educação, socialização e cultura: aspectos diferentes de
um mesmo processo social.
5) Descoberta permanente: uma possível interface entre a
diversidade cultural e o espaço escolar.
6) Educação e globalização: articulações e antagonismos.
A presença da Sociologia e, neste caso, da Sociologia da Edu-
cação no currículo vai muito além da função de formar o “cidadão
crítico”. Ela está fundamentada na perspectiva de que, para a So-
ciologia, não há nada que seja natural na “sociedade dos indiví-
duos”, nada há que não seja uma construção coletiva, nenhuma
ideia se sustenta solta no ar sem que se possa associá-la ao nosso
tempo ou ao modo como construímos nosso destino.
Assim considerando, entendemos que a educação pode e
deve ser um tema da Sociologia. Primeiro porque educar é um ins-
trumento de conservação e de mudança da sociedade, ou seja, o
ato de educar está ligado à natureza maleável e móvel dos seres
humanos na composição da continuidade histórica. Depois, por-
que, mesmo não estando as preocupações de pensadores como
Auguste Comte, Émile Durkheim, Karl Marx, Max Weber e Norbert
Elias voltadas exclusivamente para a educação, elas permitem re-
leituras das quais podem surgir novas perspectivas para a prática
pedagógica, como poderemos observar no contexto de nossas re-
flexões.
Concordamos com a ideia de que os diferentes autores que
estão referenciados podem contribuir para a compreensão dos
modos de educar, assim como para a compreensão da importância
da Sociologia da Educação na formação do educador, dos enfoques
teóricos em Sociologia da Educação, das concepções da educação
escolar e da transformação social, da função social da escola e do
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papel do professor, da educação como cultura, das relações entre
a educação e as camadas sociais, bem como dos vínculos da edu-
cação com o processo mais amplo da globalização, uma vez que
entendemos que a educação está além dos muros da escola.
Os temas apresentados nesta disciplina procuram oferecer
uma margem de interpretações que se aproximem do cenário atu-
al da educação, não com a prerrogativa de responder a todas as
questões, e, sim, de caracterizar uma introdução revestida de co-
notação didática para possibilitar o ir e vir entre o conceitual e o
cotidiano, entre a teoria e os exemplos, entre a contestação e a
concordância.
Tentar nomear contribuições da Sociologia da Educação para
a formação pessoal e profissional do professor e da professora sig-
nifica uma oportunidade ímpar para se aproximar da Sociologia
como campo de saber e compreender algo a respeito de suas pre-
ocupações. Nesse sentido, vale a pena inserir o papel mais fun-
damental que o pensamento sociológico pode realizar tanto na
formação pessoal quanto na profissional: a desnaturalização das
concepções ou explicações dos fenômenos sociais.
Desnaturalizar os fenômenos sociais significa não perder de
vista a sua historicidade. Significa considerar que eles nem sempre
foram assim. Significa, também, perceber que certas mudanças
ou descontinuidades históricas são fruto de decisões, de razões
objetivas e humanas, de determinados interesses. Desnaturalizar
os fenômenos sociais significa considerar que eles não são imedia-
tamente conhecidos e que seu reconhecimento depende de nos
distanciarmos daquilo de que participamos e do que nos rodeia.
Para explicar um fenômeno social, é preciso reconhecer as
suas causas. Para isso, temos de procurar as causas que estão além
do sujeito, isto é, buscar as causas externas a ele, mas que têm im-
plicações decisivas sobre ele. Essas causas devem apresentar certa
regularidade, uma periodicidade e um papel específico em relação
ao todo social.
26
© Sociologia da Educação
Para explicar um fenômeno social, é preciso, ainda, aprender
a observar. Uma aproximação com a Sociologia, mesmo que seja
no Ensino Médio, exige que o aluno aprenda procedimentos mais
rigorosos de observação das relações sociais. Exige que ele saiba,
pelo menos em alguma medida, como o conhecimento é elabora-
do nas ciências sociais. Para compreender e formular explicações
para os fenômenos sociais, é fundamental reconhecer a linguagem
por meio da qual esse conhecimento é criado e comunicado.
Trabalhar um tema (como socialização, cultura, diversidade
cultural, globalização) apenas é possível por meio de conceitos e
teorias. É importante, também, conhecer a articulação entre os
conceitos e as teorias e saber observar sua relevância para com-
preender ou explicar casos concretos (temas). Assim, os fenôme-
nos sociais podem ser conhecidos mediante a contextualização
de modelos compreensivos ou explicativos, com destaque para a
época em que eles foram elaborados e para os autores com os
quais um determinado autor dialoga.
É importante registrar que os conceitos têm uma história.
Eles não são palavras mágicas que explicam tudo; são elementos
que compõem o discurso científico e que sintetizam as ações so-
ciais para tentar explicá-las. Um conceito admite vários sentidos,
dependendo do autor e da época em que ele é elaborado.
Da mesma forma, é preciso compreender que teorizar é re-
fletir e que as teorias servem de base no contexto de seu apare-
cimento e posterior desenvolvimento. Isso é necessário tanto do
ponto de vista de como essas teorias foram sendo assimiladas e
desenvolvidas por outros autores, como em relação ao caráter das
críticas feitas a elas. Conhecer conceitos e teorias com o rigor é
necessário tanto a um aluno do Ensino Médio quanto a um aluno
do Ensino Superior e consiste na única maneira possível de se dis-
tanciar e se aproximar dos fenômenos sociais e, assim, construir os
fundamentos para uma formação com compromisso social, esteja
ela considerada tanto na sua dimensão pessoal quanto profissio-
nal.
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© Caderno de Referência de Conteúdo
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Além do que foi exposto, o que mais temos para justificar é:
em que medida a Sociologia da Educação pode colaborar na for-
mação pessoal e profissional de uma professora e de um professor
do Ensino Fundamental?
Para nos distanciarmos da ideia de que a Sociologia parece
ser uma disciplina que existe apenas para aqueles que vivem só
para estudar ou coisa de intelectual que vive fora do mundo, recorremos aos argumentos de Norbert Elias.
O que a Sociologia se propõe, segundo Elias (1998, p. 16),
é verificar "como naquele quebra-cabeças cujas peças não com-
põem uma imagem íntegra, há lacunas e falhas em constante for-
mação em nosso fluxo de pensamento". Para isso, são necessários
modelos conceituais e uma visão global mediante os quais torne-
mos compreensível, no pensamento, aquilo que vivenciamos co-
tidianamente na realidade, por intermédio dos quais poderemos
compreender de que modo um grande número de indivíduos com-
põe entre si algo maior e diferente de um conjunto de indivíduos
isolados. Ou seja: como os indivíduos formam uma "sociedade"?
Como sucede a essa sociedade poder modificar-se de modos es-
pecíficos? Como é possível a essa sociedade ter uma história que
segue um curso não pretendido ou planejado por qualquer dos
indivíduos que a compõem?
Entendendo que toda sociedade possui seus mecanismos
próprios, ou seja, possui um sistema familiar, um sistema cultural
com suas normas, hábitos, costumes, leis que devem ser obede-
cidas, que devem ser respeitadas, encontramos diversificadas res-
postas para compreendê-la. As considerações de Auguste Comte,
o primeiro a designar a Sociologia como ciência da sociedade, por
exemplo, foram diferentes daquelas apresentadas por Norbert
Elias e, também, foram diferentes das respostas formuladas por
Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber, a tríade que passou a ser
aceita como clássica da Sociologia e que se seguiu a Comte. Assim
como é diferente das proposições do sociólogo brasileiro Florestan
Fernandes (1980).
28
© Sociologia da Educação
Para ele, o pensamento sociológico não visa apenas "co-
nhecer a sociedade", mas vai além, à medida que se associa ao
enfrentamento das forças sociais que manipulam a "crise do ca-
pitalismo" para detê-la ou transformá-la. Para Durkheim, o con-
ceito de Sociologia foi designado como a ciência das instituições,
da sua gênese e do seu funcionamento, ou seja, toda crença, todo
comportamento instituído pela coletividade. Weber, por sua vez,
conceituou a Sociologia como uma ciência que se propõe compre-
ender por interpretação a atividade social e, com isso, explicar seu
desenvolvimento e seus efeitos.
Assim, a Sociologia pôde ser entendida como uma ciência
que vai além do estudo dos fenômenos sociais, no sentido de que
procura entender os processos e estruturas que contribuem para
o funcionamento ou não dos sistemas sociais. A Sociologia é um
tipo de interpretação e de conhecimento daquilo que se relacio-
na com os seres humanos, um método de investigação que busca
identificar, descrever, interpretar, relacionar e explicar o processo
social.
Compondo a Sociologia, estão a área conhecida como ge-
ral e as áreas que voltam seus olhares para campos específicos,
tais como: Sociologia do Conhecimento, Sociologia da Educação,
Sociologia das Organizações, Sociologia da Religião, Sociologia Ur-
bana, Sociologia Rural, Sociologia da Alimentação, Sociologia da
Saúde, Sociologia da Administração, Sociologia Jurídica e Sociolo-
gia da Infância.
Podemos afirmar, então, que a Sociologia da Educação volta
seu olhar para a escola? Isso seria pouco já que ninguém escapa
da educação ou das educações, pois, seja em casa, na rua, na Igre-
ja ou na Escola, de um modo ou de outro, todos nós envolvemos
pedaços da vida com elas, seja para aprender, para ensinar, para
"aprender-e-ensinar", para saber, para fazer, para ser ou para con-
viver – como afirma Carlos Rodrigues Brandão (1993).
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Dada a complexidade das organizações sociais contemporâ-
neas, a Sociologia da Educação deve dar relevância à estrutura da
escola em sua amplitude, que compreende duas dimensões:
• Uma organização administrativa igual para todas as esco-
las de determinado tipo (ordenação racional, deliberada
pelo Poder Público, no caso brasileiro).
• Outra que compreende todas as relações que derivam de
sua existência enquanto grupo social e que torna uma es-
cola diferente da outra (escapa das relações oficialmente
previstas, pois nasce da própria dinâmica do grupo social
escolar. Nessa dimensão, tem sentido estudar cultura, di-
versidade cultural e globalização).
O professor que limitar sua visão ao ângulo administrativo
da escola terá uma visão limitada, que não exprime a realidade
da escola no que ela traduz como resultado da integração entre
as pessoas e que nem sempre se exprime pelas normas previstas.
Para ilustrar situações extremas relacionadas a essa questão, tive-
mos no decorrer do ano de 2010 inúmeros registros da imprensa
escrita, radiofônica e televisiva que culminaram com o caso emble-
mático de um menino de nove anos que foi morto em outubro de
2010 depois de ser baleado dentro de uma sala de aula do Colégio
Adventista em Embu das Artes-SP. A suposição é de que um colega
da mesma idade teria levado uma arma na mochila.
Trata-se de um acontecimento que indica um desconhe-
cimento da realidade total da escola no que ela tem de vivo, de
próprio, de único e de autônomo. Para afirmar que a análise socio-
lógica da escola pode favorecer o conhecimento adequado dessa
realidade, recorremos ao professor Antonio Candido (1983), lem-
brando que a análise sociológica nessas circunstâncias implica,
necessariamente, a triangulação escola – comunidade/famílias –
professores.
A escola, quando concebida como unidade sociológica, tem
a educação como um processo social global que ocorre em toda a
30
© Sociologia da Educação
sociedade, porque viver sem se relacionar é impossível. O conjun-
to de uma rede de escolas e sua estrutura de sustentação, ou seja,
os sistemas escolares, devem ser compreendidos como parte do
sistema social mais global.
Nelson Piletti (1998) complementa essa ideia ao afirmar que
a Sociologia da Educação abrange o estudo dos processos e das
influências sociais envolvidas na atividade educativa, em especial
na escola. Incluem-se aí os processos de interação social dos indi-
víduos, de organização social e as influências exercidas pela socie-
dade na educação nas suas dimensões informal e não formal.
Cabe lembrar que, compondo a ordenação racional, delib-
erada pelo Poder Público, temos os Parâmetros Curriculares Na-
cionais – PCNs, um dos documentos que regem a educação escolar
brasileira e que estabelecem que os conhecimentos sociológicos
permitem uma discussão acurada de como as diferenças étnicas,
culturais e regionais não podem ser reduzidas à dimensão socio-
econômica de classes sociais, assim como das formas como ambas
se retroalimentam.
Portanto, a Sociologia da Educação permite ao aluno uma
visão mais aprofundada sobre os processos sociais, sobre a escola
como um grupo socialmente estruturado, explica a influência da
escola no comportamento e na personalidade dos alunos, além de
estudar os padrões de interação entre a escola e os demais grupos
sociais (COSTA, 2005).
Sendo assim, podemos afirmar que a Sociologia da Educa-
ção é necessária como disciplina para a formação de professores
e professoras porque contribui para compreendermos a dinâmica
do processo educacional. A discussão sociológica colabora para a
escola e para o professor compreenderem os desafios que estão
postos a partir da sua realidade social. Dessa forma, ela garante ao
aluno a possibilidade de ter consciência das circunstâncias que o
envolvem e oferece possibilidades para lhe garantir conhecimen-
tos que permitirão uma busca de caminhos para transformações
sociais.
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Ao finalizar esta Abordagem Geral da Disciplina e ainda
mantendo o princípio das possíveis contribuições da Sociologia
da Educação para a formação pessoal e profissional acadêmica,
vamos registrar algumas considerações que se referem ao Mapa
Conceitual, que, com a finalidade de contribuir para que a apren-
dizagem seja significativa, compõe o conteúdo que será objeto de
estudo.
Mapas Conceituais, na definição de Dutra, Fagundes e Ca-
ñas (2011), são representações gráficas semelhantes a diagramas,
que indicam relações entre conceitos ligados por palavras. Repre-
sentam uma estrutura que vai dos conceitos mais até os menos
abrangentes.
O princípio dos Mapas Conceituais baseia-se na teoria con-
strutivista, segundo a qual o sujeito constrói seu conhecimento e
significados a partir da sua predisposição para realizar essa con-
strução. São instrumentos concebidos para facilitar o aprendizado,
transformando o conteúdo sistematizado em conteúdo significa-
tivo. Na concepção aqui adotada, são utilizados para auxiliar a or-
denação e a sequência hierarquizada dos conteúdos de ensino, de
forma a oferecer estímulos adequados ao aprendizado.
É de Moreira (1997) a explicação de que os Mapas Con-
ceituais foram desenvolvidos por Joseph Novak e sua equipe em
1972, durante um trabalho de pesquisa realizado em Ithaca, EUA.
Iniciada em 1971, a pesquisa transcorreu ao longo de 12
anos, acompanhando o desenvolvimento cognitivo de crianças
entre 6 e 8 anos de idade que estavam no início do Ensino Fun-
damental até o seu último ano na escola, antes de entrarem na
Universidade.
Uma pesquisa tão longa criava um problema para o registro
das informações coletadas. Daí decorreu a necessidade de Joseph
Novak e sua equipe desenvolverem um instrumento para registrar
o conteúdo das entrevistas. Recorreu-se, então, aos princípios de
aprendizagem significativa e sociointeracionistas de dois teóricos
da Psicologia da Educação: o russo Lev Semenovitch Vygotsky e o
estadunidense David Paul Ausubel.
32
© Sociologia da Educação
A técnica desenvolvida por Novak consistiu em selecionar os
conceitos-chave das entrevistas e transcrevê-los numa estrutura
hierárquica. Surgia, a partir daí, o recurso conhecido como Mapa
Conceitual. Por meio dele, o conteúdo de entrevistas de 20 pá-
ginas pôde ser representado visualmente e expresso em apenas
uma.
Tornou-se, também, um recurso de avaliação, uma vez que
possibilita verificar quando conceitos estão sendo aprendidos de
forma significativa pelos alunos, já que os mapas refletem um
maior número de relações cruzadas e criativas com conceitos já
existentes.
Para Novak (apud MOREIRA, 1997), um Mapa Conceitual é
uma:
representação de conceitos e suas ligações hierárquicas descritas
por palavras que determinam sentenças ou proposições válidas
estabelecendo assim um significado dentro de certo domínio de
conhecimento.
Os elementos essenciais de um mapa conceitual são: a pre-
sença imprescindível de conceitos e as suas respectivas ligações
compondo um sentido ou significado.
Como o Mapa Conceitual é consequência do domínio do
conteúdo, é impossível elaborar-se um mapa se não há um conhe-
cimento prévio que possibilite, além dos conceitos e conexões pró-
prios do texto, novas conexões e novos conceitos.
Quando um aprendiz utiliza o mapa durante o seu processo
de aprendizagem de determinado tema, vai ficando claro para si as
suas dificuldades de entendimento desse tema.
Quando iniciamos o exercício de elaboração de mapas con-
ceituais, não temos muita clareza sobre quais são os conceitos re-
levantes de determinado tema, e, ainda mais, quais as relações
sobre esses conceitos. Ao insistirmos no exigente exercício, vamos
adquirindo a capacidade de perceber cada vez com mais clareza
e especificidade as lacunas. Para procurar subsídios sobre as dú-
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vidas, é hora de voltar ao texto estudado ou de recorrer a outros
livros, a outras fontes de consulta. Depois, então, retornar para a
construção de seu mapa. Esse ir e vir entre a construção do mapa
e a procura de respostas para suas dúvidas garantirá que a apren-
dizagem seja significativa.
A proposta é que ���������������������������������������
você,����������������������������������
na condição de aprendiz����������
,���������
se aven-
ture em desenvolver a habilidade de construir seu próprio Mapa
Conceitual ao encerrar cada etapa de estudo e torne-se capaz de
encontrar, com autonomia intelectual, o seu caminho no processo
de aprendizagem. Caso não consiga construí-lo, deverá procurar as
respostas fazendo consultas ao conteúdo estudado e, se ainda as-
sim não conseguir, não deve desanimar porque deverá ter acumu-
ladas dúvidas específicas e perguntas que precisam de respostas.
Ter perguntas definidas ou dúvidas específicas é um ótimo sinal
porque facilita a procura de ajuda.
Existem aplicativos disponíveis que facilitam a construção de
Mapas Conceituais. Como referências para o momento, apresen-
tamos três espaços virtuais com licença para uso livre:
• CmapTools 5.04 – disponível em: <http://cmaptools.sof-
tonic.com.br/>. Acesso em: 24 jan. 2010.
• XMind Portable 3.1.1 – disponível em: <http://xmind-
portable.softonic.com.br/>. Acesso em: 24 jan. 2010.
• XMind 3.1.1 – disponível em: <http://xmind.softonic.
com.br/>. Acesso em: 24 jan. 2010.
Glossário de Conceitos
O Glossário de Conceitos permite a você uma consulta
rápida e precisa de definições conceituais, possibilitando-lhe um
bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de
conhecimento dos temas tratados na disciplina Sociologia da Edu-
cação. Veja, a seguir, a definição de alguns conceitos desta disci-
plina:
34
© Sociologia da Educação
1) Ciência: na ciência social moderna, o termo "ciência"
significa o estudo objetivo e sistemático de fenômenos
empíricos e o corpo de conhecimento resultante desses
estudos. Os cientistas sociais acreditam que suas disci-
plinas são ciências no sentido de que a atividade huma-
na é, em si, um objeto de investigação da ciência social.
Apesar de a maioria dos cientistas sociais concordarem
com essa definição, muitos deles discordam dos seguin-
tes adjetivos: sistemático, objetivo e empírico (COSTA,
2000).
2) Conceito: "representação dum objeto pelo pensamen-
to, por meio de suas características gerais. 2. Ação de
formular uma idéia por meio de palavras; definição, ca-
racterização. 3. Pensamento, idéia, opinião. 4. Noção,
idéia, concepção. Um conceito é uma abstração a partir
de conhecimentos percebidos, ou uma representação
resumida de uma diversidade de fatos. Seu objetivo é
simplificar o pensamento, ao colocar alguns aconteci-
mentos sob um mesmo título geral. (Os conceitos) de-
vem ser definidos em termos abstratos, dando o sentido
geral que se quer transmitir, para que se possa ligar o
estudo ao conjunto de conhecimentos que empregam
conceitos semelhantes, bem como em termos das ope-
rações através das quais serão representados no estudo
específico" (MARTINS, 2010).
3) Conhecimento: “função da vida psíquica manifestada
por fenômenos de caráter representativo e objetivo. O
conhecimento propriamente dito supõe a distinção en-
tre o sujeito e o objeto" (MARTINS, 2010).
4) Conhecimento científico: “O que distingue a atitude
científica da atitude costumeira ou do senso comum?
Antes de mais nada, a ciência desconfia da veracidade
de nossas certezas, de nossa adesão imediata às coisas,
da ausência de crítica e da falta de curiosidade. Por isso,
ali onde vemos coisas, fatos e acontecimentos, a atitu-
de científica vê problemas e obstáculos, aparências que
precisam ser explicadas e, em certos casos, afastadas.
Sob quase todos os aspectos, podemos dizer que o co-
nhecimento científico opõe-se ponto por ponto às ca-
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racterísticas do senso comum: é objetivo, isto é, procura
as estruturas universais e necessárias das coisas inves-
tigadas; e quantitativo, isto é, busca medidas, padrões
critérios de comparação e de avaliação para coisas que
parecem ser diferentes, e homogêneo, isto é, busca as
leis gerais de funcionamento para fatos que nos pare-
cem diferentes; é generalizador, pois reúne individuali-
dades, percebidas como diferentes, sob as mesmas leis,
os mesmos padrões ou critérios de medida, mostrando
que possuem a mesma estrutura; é diferenciador, pois
não reúne nem generaliza por semelhanças aparentes,
mas distingue os que parecem iguais, desde que obe-
deçam a estruturas diferentes; só estabelece relações
causais depois de investigar a natureza ou estrutura do
fato estudado e suas relações com outros semelhan-
tes ou diferentes; surpreende-se com a regularidade, a
constância, a freqüência, a repetição e a diferença das
coisas e procura mostrar que o maravilhoso, o extraor-
dinário ou o 'milagroso’ é um caso particular do que é
regular, normal, freqüente; distingue-se da magia. A ma-
gia admite uma participação ou simpatia secreta entre
coisas diferentes, que agem umas sobre outras por meio
de qualidades ocultas e considera o psiquismo humano
uma força capaz de ligar-se a psiquismos superiores para
provocar efeitos inesperados nas coisas e nas pessoas.
A atitude científica, ao contrário, opera um desencanta-
mento, o desenfeitiçamento do mundo, mostrando que
nele não agem forças secretas, mas causas e relações
racionais que podem ser conhecidas e que tais conhe-
cimentos podem ser transmitidos a todos; afirma que,
pelo conhecimento, o homem pode libertar-se do medo
e das superstições, deixando de projetá-las no mundo e
nos outros; procura renovar-se e modificar-se continua-
mente, evitando a transformação das teorias em doutri-
nas e destas em preceitos sociais. O fato científico resul-
ta de um trabalho paciente e lento de investigação e de
pesquisa racional, aberto a mudanças, não sendo nem
um mistério incompreensível nem uma doutrina geral
sobre o mundo" (MARTINS, 2010).
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© Sociologia da Educação
5) Cultura: pode ser definida como um conjunto de signifi-
cados partilhados por um grupo (COSTA, 2000).
6) Desigualdade: no contexto da Sociologia crítica da edu-
cação, desigualdade refere-se à condição na qual os di-
ferentes grupos sociais – definidos principalmente em
termos de classes sociais – se apropriam de forma des-
proporcional dos recursos materiais e simbólicos da so-
ciedade. Uma das tarefas centrais da Sociologia crítica
da educação tem sido descrever e explicar as situações
de desigualdade na educação, relacionando-as às desi-
gualdades sociais mais amplas (SILVA, 2011).
7) Diversidade: considera-se que a sociedade contempo-
rânea é caracterizada por sua diversidade cultural, isto
é, pela coexistência de diferentes e variadas formas (ét-
nicas, raciais, de gênero, sexuais) de manifestações da
existência humana, as quais não podem ser hierarquiza-
das por nenhum critério absoluto ou essencial. Em geral,
utiliza-se o termo para advogar uma política de tolerân-
cia e respeito às diferentes culturas (SILVA, 2011).
8) Estereótipos: opinião extremamente simplificada, fixa e
enviesada sobre as atitudes, comportamentos e carac-
terísticas de um grupo cultural ou social que não aquele
ao qual se pertence. O etnocentrismo, o racismo, o se-
xismo, a homofobia, baseiam-se, todos, em grande par-
te, na produção e reprodução de estereótipos sobre os
respectivos grupos sociais atingidos por essas atitudes
tendenciosas. São construções mentais falsas, imagens
e ideias de conteúdo alógico, que estabelecem critérios
socialmente falsificados. Os critérios baseiam-se em ca-
racterísticas não comprovadas e não demonstradas, atri-
buídas a pessoas, a coisas e a situações sociais, mas que,
na realidade, não existem (SILVA, 2011).
9) Etnia: é o termo utilizado para referir-se às característi-
cas culturais – língua, religião, costume, tradições, sen-
timento de "lugar" – que são partilhadas por um povo.
Não há qualquer nação moderna que seja composta de
apenas um único povo, uma única cultura ou etnia. As
nações modernas são híbridos culturais (adaptado de
HALL, 2006).
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10) Multiculturalismo: “Movimento que, fundamentalmen-
te, argumenta em favor de um currículo que seja cultu-
ralmente inclusivo, incorporando as tradições culturais
dos diferentes grupos culturais e sociais. Pode ser visto
como os resultados de uma reivindicação de grupo a su-
bordinados – como as mulheres, as pessoas negras e as
homossexuais, por exemplo – para que os conhecimen-
tos integrantes de suas tradições culturais sejam incluí-
dos nos currículos escolares e universitários. Mais criti-
camente, entretanto, também pode ser visto como uma
estratégia dos grupos dominantes, em países metropo-
litanos da antiga ordem colonial, para conter e controlar
as demandas dos grupos de imigrantes das antigas colô-
nias” (PRIORE, 2011).
11) Interação: é a ação social mutuamente orientada por
dois ou mais indivíduos em contacto. Distingue-se da
mera interestimulação porque envolve significados e
expectativas em relação às ações de outras pessoas. Po-
demos dizer que a interação é a reciprocidade de ações
sociais (OSBORNE, 2011).
12) Instituições Sociais: são formas de organizações que
congregam a padronização, a formação de usos e cos-
tumes ou a cristalização das normas de comportamento
estabelecidas, organizando-as de forma recíproca, hie-
rárquica e com um objetivo comum. Têm uma estrutura
relativamente permanente de padrões, papéis e relações
que os indivíduos realizam segundo o objetivo comum.
As características das instituições são: têm finalidade e
conteúdo relativamente permanentes, são estrutura-
das, possuem estrutura unificada e valores. Além disso,
devem ter função (a meta ou o propósito do grupo) e
estrutura composta de pessoal (elementos humanos),
equipamentos (meios materiais ou imateriais), organi-
zação (disposição de pessoal e do equipamento, obser-
vando-se uma hierarquia – autoridade e subordinação),
comportamento (normas que regulam a conduta e as
atitudes dos indivíduos). A família, a Igreja, o exército e
o Estado são as instituições mais antigas de que se tem
conhecimento (OSBORNE, 2011).
38
© Sociologia da Educação
13) Etnocentrismo: refere-se à atitude emocional que sus-
tenta o grupo, a raça ou a sociedade que se julga superior
a outras entidades raciais, sociais ou culturais. A essa ati-
tude encontra-se associado o desprezo pelo estrangeiro
ou pelo forasteiro e seus costumes (OSBORNE, 2011).
14) Estratificação social: os sociólogos recorrem à estratifi-
cação (divisão) social para descrever as desigualdades
que existem entre indivíduos e grupos nas sociedades
humanas. A estratificação pode referir-se tanto à rique-
za e à propriedade quanto ao gênero, à idade, à filiação
religiosa ou à patente militar. Considerando-se que os
indivíduos ou os grupos gozam de um acesso desigual às
recompensas, de acordo com a sua posição no esquema
de estratificação, a forma mais simples de definir a estra-
tificação seria vê-la como um sistema de desigualdades
estruturadas entre diferentes agrupamentos de pessoas
(OSBORNE, 2011).
15) Raça: contrariamente à crença generalizada, raça não é
uma categoria biológica ou genética que tenha qualquer
validade científica. Está comprovado cientificamente
que a diferença genética – refúgio das ideologias racis-
tas – não pode ser usada para distinguir um povo do ou-
tro. Raça é uma categoria discursiva e não uma categoria
biológica. Isto é, ela é a categoria organizadora daque-
las formas de falar, daqueles sistemas de representação
e práticas sociais (discursos) que utilizam um conjunto
frouxo, frequentemente pouco específico de diferenças
em termos de características físicas e corporais etc. –
como marcas simbólicas, a fim de diferenciar socialmen-
te um grupo do outro. A diferença racial pode ser usa-
da para enaltecer um grupo, caso do nazismo diante da
busca da raça pura (os arianos), ou para denegri-lo, caso
das justificativas para a escravidão dos negros (adaptado
de HALL, 2006).
Mapa Conceitual Hierarquizado
Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais
importantes deste estudo, apresentamos, a seguir (Figura 1), um
Centro Universitário Claretiano
© Caderno de Referência de Conteúdo
39
Mapa Conceitual Hierarquizado da disciplina. O mais aconselhável
é que você mesmo faça o seu mapa. Esse exercício é uma forma
de você construir o seu conhecimento, ressignificando as informa-
ções a partir de suas próprias percepções.
É importante ressaltar que o propósito desse ������������
Mapa Concei-
tual Hierarquizado é representar, de maneira gráfica, as relações
entre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos mais
complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você
na ordenação e na sequenciação hierarquizada dos conteúdos de
ensino.
Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se
que, por meio da organização das ideias e dos princípios em esque-
mas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu conhecimen-
to de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos
significativos no seu processo de ensino e aprendizagem.
Tem-se de destacar que “aprendizagem” não significa, ap-
enas, realizar acréscimos na estrutura cognitiva do aluno; é pre-
ciso, sobretudo, estabelecer modificações para que ela se config-
ure como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante
considerar as entradas de conhecimento e organizar bem os mate-
riais de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os novos con-
ceitos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma
vez que, ao fixar esses conceitos nas suas já existentes estruturas
cognitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é
você o principal agente da construção do próprio conhecimento,
por meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações in-
ternas e externas, o Mapa Conceitual Hierarquizado������������
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tem por ob-
jetivo tornar significativa a sua aprendizagem, transformando o
seu conhecimento sistematizado em conteúdo curricular, ou seja,
estabelecendo uma relação entre aquilo que você acabou de con-
hecer com o que já fazia parte do seu conhecimento de mundo
(adaptado do site disponível em: <http://penta2.ufrgs.br/edu-
tools/mapasconceituais/utilizamapasconceituais.html>. Acesso
em: 11 mar. 2010).
40
© Sociologia da Educação
Figura 1 Mapa Conceitual Hierarquizado da disciplina Sociologia da Educação.
Centro Universitário Claretiano
© Caderno de Referência de Conteúdo
41
Questões Autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas sobre os conteúdos ali tratados, as quais podem
ser de múltipla escolha ou abertas com respostas objetivas ou dis-
sertativas. Vale ressaltar que se entendem as respostas objetivas
como as que se referem aos conteúdos matemáticos ou àqueles
que exigem uma resposta determinada, inalterada.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como
relacioná-las com o estudo de Sociologia da Educação pode ser
uma forma de você avaliar o seu conhecimento. Assim, mediante
a resolução de questões pertinentes ao assunto tratado, você es-
tará se preparando para a avaliação final, que será dissertativa.
Além disso, essa é uma maneira privilegiada de você testar seus
conhecimentos e adquirir uma formação sólida para a sua prática
profissional.
Você encontrará, ainda, no final de cada unidade, um gabari-
to, que lhe permitirá conferir as suas respostas sobre as questões
autoavaliativas (as de múltipla escolha e as abertas objetivas).
As questões dissertativas obtêm por resposta uma interpretação
pessoal sobre o tema tratado. Por isso, não há nada relacionado a
elas no item Gabarito. Você pode comentar suas respostas com o
seu tutor ou com seus colegas de turma.
Bibliografia Básica
É fundamental que você use a Bibliografia Básica em seus
estudos, mas não se prenda só a ela. Consulte, também, as bibli-
ografias apresentadas no Plano de Ensino e no item Orientações
para o estudo da unidade.
Figuras (ilustrações, quadros...)
Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte inte-
grante dos conteúdos, ou seja, elas não são meramente ilustrativas,
42
© Sociologia da Educação
pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no texto.
Não deixe de observar a relação dessas figuras com os conteúdos
da disciplina, pois relacionar aquilo que está no campo visual com
o conceitual faz parte de uma boa formação intelectual.
Dicas (motivacionais)
O estudo desta disciplina convida você a olhar, de forma
mais apurada, a Educação como processo de emancipação do ser
humano. É importante que você se atente às explicações teóricas,
práticas e científicas que estão presentes no material didático, bem
como partilhe suas descobertas com seus colegas, pois, ao com-
partilhar com outras pessoas aquilo que você observa, permite-se
descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a ver e a
notar o que não havia sido percebido antes. Observar é, portanto,
uma capacidade que nos impele à maturidade.
Você, como aluno dos cursos de Graduação na modalidade
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D e futuro profissional da educação, necessita de uma forma-
ção conceitual sólida e consistente. Para isso, você contará com
a ajuda do tutor a distância, do tutor presencial e, sobretudo, da
interação com seus colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o
seu tempo e realize as atividades nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em seu
caderno ou no Bloco de Anotações, pois, no futuro, elas poderão
ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de produções
científicas.
Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie
seus horizontes teóricos. Coteje-os com o material didático, dis-
cuta a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às vid-
eoaulas.
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões
autoavaliativas, que são importantes para a sua análise sobre os
conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram significativos
Centro Universitário Claretiano
© Caderno de Referência de Conteúdo
43
para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas,
pois esses procedimentos serão importantes para o seu amadure-
cimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na
modalidade a distância é participar, ou seja, interagir, procurando
sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a
esta disciplina, entre em contato com seu tutor. Ele estará pronto
para ajudá-lo.
Breve Introdução
à Sociologia:
Evolução
e Método
1
1. OBJETIVOS
• Constatar que, anteriormente ao aparecimento da Socio-
logia, existiam indagações sobre os fenômenos sociais.
• Compreender que o advento da Sociologia como ciência
aplica um ponto de vista científico à observação e à expli-
cação dos fenômenos sociais.
• Cultivar a atitude de pesquisador.
2. CONTEÚDOS
• Origem da Sociologia.
• A Sociologia como ciência: "filha da Revolução".
46
© Sociologia da Educação
3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE
Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que
você leia as orientações a seguir:
1) Um dos pontos que será levantado nesta unidade se
refere ao fato de a sociedade tornar-se objeto de estu-
dos científicos. Na constituição da Sociologia, tomamos
o exemplo da transformação do tema da pobreza em
questão social, e assim como a questão social encontrou
espaço nas pesquisas científicas, ela também encontrou
na literatura um terreno fértil. Com relação ao nosso
foco de interesse nesta unidade, que é o quadro social
europeu pós-revolucionário e, sob a justificativa de que
a literatura é importante para toda pessoa de cultura
universitária, qualquer que seja a sua formação, indica-
mos duas obras clássicas: Os miseráveis, de Victor Hugo,
e O Germinal, de Émile Zola.
2) Para reforçar a visão sobre a dimensão social dos acon-
tecimentos que compunham as realidades do cotidiano
europeu pós-revolucionário e mantendo a mesma jus-
tificativa da orientação anterior, indicamos o livro de
Charles Dickens, Oliver Twist, de 1839. Esse é um roman-
ce que, a partir de 1948, foi adaptado para filmes em
várias versões, das quais destacamos como sugestões a
adaptação de David Lean, de 1948, e a de Roman Po-
lansky, de 2005.
3) Para identificar como o período da Revolução Francesa
é contextualizado pela linguagem cinematográfica, você
pode assistir ao filme francês A inglesa e o duque, dirigi-
do por Eric Rohmer e baseado em fatos verídicos.
4) Nesta unidade, você conhecerá alguns pensadores que
podem ser considerados os precursores dos estudos so-
ciológicos. Assim, é importante que você conheça um
pouco da vida desses intelectuais, o que pode contribuir
para uma melhor compreensão do conteúdo desta uni-
dade. Caso queira saber mais sobre eles, acesse os sites
indicados.
Centro Universitário Claretiano
© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
47
Auguste Comte (1798-1857)
Auguste Comte nasceu em Montpellier, França, em 19
de janeiro de 1798. Era filho de um fiscal de impostos e
suas relações com a família foram tempestuosas. Nelas
encontramos elementos explicativos do desenvolvimento
de sua vida e, talvez, até mesmo de certas orientações
dadas às suas obras, sobretudo em seus últimos anos de
vida (imagem e texto adaptado disponíveis em: <http://
www.culturabrasil.pro.br/comte.htm>. Acesso em: 15 dez.
2010).
Émile Durkheim (1858-1917)
É considerado um dos mais notáveis sociólogos france-
ses. Estudou na École Normale Supérieure, em Paris.
Publicou várias obras, entre as quais estão: A divisão so-
cial do trabalho (1893), Montesquieu e Rousseau: précur-
seurs de La Sociologie (s/d), As regras do método socio-
lógico (1895), Educação e sociologia (1978) (imagem e
texto adaptado disponíveis em: <http://www.culturabrasil.
pro.br/durkheim.htm>. Acesso em: 15 dez. 2010).
Karl Heinrich Marx (1818 – 1883)
Estudou na universidade de Berlim, principalmente a
filosofia hegeliana, e formou-se em Iena, em 1841, com
a tese Sobre as diferenças da filosofia da natureza de
Demócrito e de Epicuro. Em 1842 assumiu a chefia
da redação do Jornal Renano em Colônia, onde seus
artigos radical-democratas irritaram as autoridades. [...]
Em 1844, conheceu em Paris Friedrich Engels, começo
de uma amizade íntima durante a vida toda. Foi, no
ano seguinte, expulso da França, radicando-se em
Bruxelas e participando de organizações clandestinas
de operários e exilados. Ao mesmo tempo em que na
França estourou a revolução, em 24 de fevereiro de 1848,
Marx e Engels publicaram o folheto O Manifesto Comunista, primeiro esboço da
teoria revolucionária que, mais tarde, seria chamada marxista (imagem e
texto
disponíveis em <http://www.culturabrasil.pro.br/marx.htm>. Acesso em: 17
jan.
2011).
48
© Sociologia da Educação
Max Weber (1864-1920)
“Exagerar é a minha profissão”. Foi essa a resposta de Max Weber a um colega
chocado com sua veemência num debate. Ela diz muito a respeito de sua figura
humana e também da sua obra. O contato apaixonado com os grandes proble-
mas políticos do dia, a busca incansável do conhecimento através de uma
erudi-
ção sem paralelo nas ciências sociais do Século 20, a intensidade da
dedicação
à pesquisa e à reflexão metodológica, o ímpeto exacerbado das investidas
contra
o que lhe parecia errado, estão presentes no mais exagerado grau na sua vida
e obra (COHN, 1989, p. 7) (imagem disponível em: <http://www.wellingtoncosta
.
blogspot.com/>. Acesso em: 17 jan. 2011).
4. INTRODUÇÃO À unidade
Para nos referirmos ao surgimento da Sociologia, que é
uma ciência moderna, é preciso que tenhamos em mente que ele
ocorre em um dado contexto histórico que reflete as consequên-
cias do desaparecimento do sistema feudal e da consolidação do
sistema capitalista.
Nesta unidade, que apresenta uma breve introdução à Socio-
logia, será possível constatar que a reflexão sobre os fenômenos
sociais tem uma longa tradição, muito anterior ao surgimento da
Sociologia como ciência. No entanto, muito diferente das explica-
ções sobre os fenômenos sociais que foram apresentadas anterior-
mente a ela, sobretudo pela Filosofia, as explicações da Sociologia
como ciência obedecem aos mesmos princípios gerais válidos para
todos os ramos de conhecimento científico, mesmo considerando
as peculiaridades dos fenômenos sociais da abordagem científica
da sociedade.
Centro Universitário Claretiano
© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
49
Toda ciência tem como principal objetivo explicar a realidade
com base na observação sistemática dos fatos. Sendo o conheci-
mento científico garantido pela observação sistemática dos fatos
e pelas explicações fidedignas, ele pode se transformar em instru-
mento de intervenção social seja mediante previsão, transforma-
ção ou mesmo controle da realidade.
A Sociologia, como ciência, também pretende explicar o que
acontece na sociedade, e, tendo o conhecimento garantido pela
observação sistemática dos fenômenos sociais, ela pode se trans-
formar em instrumento de intervenção social, como, por exemplo,
por meio do planejamento social, conforme explica o sociólogo
brasileiro Sebastião Vila Nova (2000).
Nesse sentido, os primeiros sociólogos não foram simples
observadores; foram, também, participantes, uma vez que se
preocuparam com o curso provável dos acontecimentos sociais,
com a direção do desenvolvimento, enfim, preocuparam-se com o
nosso destino como sociedade. Eles mantiveram as ambições in-
telectuais de fazer do conhecimento sociológico um instrumento
da ação.
Embora não se comunicassem diretamente, os primeiros so-
ciólogos revelaram similaridade em seus estudos; suas conexões
vinculavam-se ao fato de se depararem com problemas similares,
semelhança de situações decorrentes das mudanças na estrutura
da sociedade. Mesmo que seus ideais sociais diferissem e, por
essa razão, se posicionassem intelectualmente em campos opos-
tos, compartilhavam respostas para as mesmas questões: como
a sociedade tinha se desenvolvido, queriam conhecer a ordem
desse desenvolvimento, seus estágios e suas forças motrizes, com-
plementa o sociólogo alemão Norbert Elias (1994).
Eles entendiam que à Sociologia, como conhecimento cientí-
fico, cabia oferecer método e técnicas de pesquisa apropriadas
ao seu objeto de estudo. Cabia a ela desvelar as relações sociais
existentes entre os diferentes conjuntos de indivíduos ligados
50
© Sociologia da Educação
por alguma característica compartilhada. Sob essa perspectiva,
então, o estudo científico da sociedade demandaria a apreensão
dos fenômenos sociais mediante a observação sistemática e a sua
compreensão por meio da participação.
Esses princípios deram (e continuam dando) fundamento à
ideia de que a Sociologia constitui uma forma de conhecimento
que é fruto das preocupações intelectuais provocadas pelas rev-
oluções industriais e político-sociais que abalaram o mundo oci-
dental moderno.
5. ORIGEM DA SOCIOLOGIA
Embora a Sociologia seja uma ciência moderna que surgiu
no final do século 19, os seres humanos, ao longo de sua histó-
ria, não deixaram de observar e de refletir sobre as sociedades
e os grupos nos quais viviam. Podemos encontrar, por exemplo,
observações e ideias relevantes para a Sociologia nos escritos dos
filósofos, dos pregadores religiosos e dos legisladores de todas as
civilizações e épocas.
Qual seria, então, a diferença que distingue as preocupações
com a sociedade abordadas pela Sociologia e o pensamento social
anterior a ela?
A modificação radical nas concepções da vida social e nas
atitudes humanas, em virtude do surgimento do capitalismo in-
dustrial, é uma característica que marca a diferença no teor das
preocupações com a sociedade.
Outra característica que destacamos é a crescente convicção
de que os métodos das ciências naturais deveriam e poderiam ser
estendidos ao estudo das questões humanas, ou seja, que os fenô-
menos humanos poderiam ser classificados e medidos.
Essas questões estimularam a busca de novas formas para
analisar a sociedade. Os fenômenos sociais passaram a ser enten-
Centro Universitário Claretiano
© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
51
didos, então, como algo dotado de forças sociais próprias, depen-
dentes das ações humanas. Tornou-se evidente a inadequação dos
modos por meio dos quais os fenômenos sociais eram abordados.
A pobreza, por exemplo, passou a ser entendida como o resultado
da ignorância e da exploração humana, e não mais como um fenô-
meno natural, um castigo da natureza ou da providência divina.
Diante desse quadro, sob duas influências – o prestígio da ci-
ência natural e os movimentos de reforma social –, os levantamen-
tos sociais passaram a ocupar lugar importante na nova ciência da
sociedade, a Sociologia.
O levantamento social não surgiu apenas da ambição de
aplicar os métodos das Ciências Naturais ao mundo humano; ele
surgiu de uma nova concepção dos problemas sociais e, também,
foi influenciado pelas possibilidades materiais da sociedade indus-
trial. Um levantamento social da pobreza ou de qualquer outro
problema social só tem sentido se for pautado na possibilidade de
que algo poderá ser feito para remover ou diminuir tais males.
O texto a seguir, redigido por Augusto Comte, organizador da
Sociologia como ciência em 1817, oferece-nos uma dimensão da
sua tomada de posição como cientista social diante da realidade
social.
A chave das coisas: “quem dança não conspira”–––––––––––
A miséria pública é enorme em Paris; o pão é muito caro, e receia-se mesmo
que
venha a faltar. Não se pode dar um passo na rua sem ter o coração partido
pelo
aflitivo quadro da mendicidade; a cada instante encontram-se operários sem
pão
e sem trabalho, e com tudo isso, quanto luxo! Quanto luxo! Ah, como é
revoltante,
quando a tantos indivíduos falta o necessário absoluto! A despeito da
aflição ge-
ral, o carnaval é ainda bastante alegre, pelo menos, há muitos bailes,
públicos e
particulares. Ouvi mesmo dizer por pessoas bem sensatas que se dançou neste
inverno como nunca. Quanto a mim, não posso imaginar como uma gavota ou
um minueto façam esquecer que mais de trinta mil seres humanos não tenham o
que comer. Não posso imaginar que se seja tão indiferente, a ponto de se
divertir
loucamente em meio a todos esses desastres. Os governos não se incomodam
de maneira alguma com esta frivolidade, porque, segundo a observação
judicio-
sa que ontem ouvi de uma senhora muito bonita, muito amável e que, no
entanto,
pensa “quem dança não conspira”. Esta expressão, que é mais profunda do que
parece, dá bem a chave das coisas (COMTE apud MORAIS FILHO, 1983, p. 8).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
52
© Sociologia da Educação
Para o sociólogo inglês Thomas Burton Bottomore (1973, p.
19), a existência da pobreza generalizada, em meio das grandes
e crescentes forças produtivas, foi responsável por esta tornar-se
uma questão social sujeita a estudos, análises e aperfeiçoamento.
Nas sociedades industriais, a pobreza deixou de ser considerada,
tal como dissemos anteriormente, uma condição natural, como se
fosse um castigo da natureza ou obra da providência divina, para
se tornar um problema social, uma questão social, ou seja, um
fenômeno resultante da exploração do homem pelo homem. Essa
modificação de visão constituiu um elemento importante na con-
vicção de que o conhecimento exato poderia ser aplicado à refor-
ma social e, mais tarde, com o controle cada vez mais completo
sobre o meio físico, poderia, também, controlar o meio social.
6. SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA: “FILHA DA REVOLU-
ÇÃO”
O pensamento sociológico organizou-se a partir de três revo-
luções que deram origem a sociedades inteiramente novas: a Re-
volução Científica, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial.
Isso conflui para o fato de a Sociologia não ser obra de um homem
só; ela representa o resultado do processo histórico, intelectual e
científico que teve seu apogeu no século 18.
Sob a perspectiva social, o resultado visível provocado por
essas revoluções foi um rápido processo de urbanização que re-
sultou na degradação do espaço urbano e do meio ambiente, bem
como na destruição dos valores tradicionais. Ao lado dessas trans-
formações, ocorria a exploração do trabalhador, que tinha uma
jornada com mais de 16 horas de trabalho em média, sem direitos
trabalhistas: carteira de trabalho, férias, aposentadoria e baixo sa-
lário. Havia, também, a exploração do trabalho das mulheres e das
crianças, que eram submetidas a condições piores do que aquelas
enfrentadas pelos homens.
Centro Universitário Claretiano
© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
53
A condição urbana provocava problemas sociais gravíssimos
advindos da rápida urbanização e da insalubridade tanto na vida
pessoal quanto no ambiente de trabalho: doenças, ausência de
moradias, prostituição, alcoolismo, epidemias de tifo, cólera, suicí-
dios, surtos de violência generalizados etc.
Um dos significativos surtos de violência foi o Movimento
Social dos Luditas, voltado para a destruição de máquinas e pro-
testo contra a tecnologia. Entenda, a seguir, o que foi esse movi-
mento social:
O ludismo––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
O ludismo foi um movimento social ocorrido na Inglaterra entre os anos de
1811
e 1812. Contrários aos avanços tecnológicos ocorridos na Revolução
Industrial,
os ludistas protestavam contra a substituição da mão-de-obra humana por má-
quinas. O nome do movimento deriva de um dos seus líderes, Ned Ludd.
Com a participação de operários das fábricas, os “quebradores de máquinas”,
como eram chamados os ludistas, fizeram protestos e revoltas radicais.
Invadi-
ram diversas fábricas e quebraram máquinas e outros equipamentos que consi-
deram os responsáveis pelo desemprego e as péssimas condições de trabalho
no período.
O movimento ludista perdeu força com a organização dos primeiros sindicatos
na
Inglaterra, as chamadas trade unions.
Trecho de uma canção ludista:
“Nós marchamos para realizar a nossa vontade
Com machado, lança ou fuzil
Meus valentes cortadores
Os que com apenas um só forte golpe
rompem com as máquinas cortadeiras” (SUA PESQUISA, 2010).
Figura 1 Os ludistas em ação: quebrando máquinas.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
54
© Sociologia da Educação
Ampliando essa gama de problemas, havia a concentração
de máquinas, terras e ferramentas sob o controle de poucas pes-
soas, o que nos leva a compreender as razões da emergência da
"questão social". Foi a profundidade e a amplitude das transfor-
mações que colocaram a sociedade em um plano de análise, isto
é, tornaram-na objeto de estudo para os pensadores e filósofos da
época.
A Sociologia surge nesse contexto como resultado de uma
circunstância histórica evolutiva, a organização da sociedade in-
dustrial, no ápice de um período designado entre o desmorona-
mento da sociedade feudal e o surgimento do mundo moderno,
industrial e capitalista. Ela nasceu como consequência do interes-
se pela descoberta de que as relações sociais que até então eram
consideradas naturais – como é o caso da pobreza – fossem, de
fato, mutáveis e históricas.
As circunstâncias históricas que estavam presentes no mo-
mento da organização da Sociologia ofereceram elementos para
uma reflexão sobre as transformações, os antagonismos de classes
sociais e as crises experimentadas pela então nascente sociedade
urbana, industrial.
Para explicar os novos fenômenos sociais, não apenas a
Sociologia, como também outras ciências surgiram para estudar
e explicar cada dimensão da vida social e de determinadas rela-
ções sociais, como, por exemplo: Antropologia, Economia, Ciência
Política, Psicologia e Direito. No entanto, a Sociologia mantém-se
como a única ciência que tem como questão central as interações
sociais, um dos seus conceitos fundamentais.
Interação social–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
A sociedade é necessariamente dinâmica, está sempre em processo. Indivíduos,
grupos, categorias, agregados e estratos sociais agem e reagem continuamente
uns sobre os outros, ou seja, estão sempre em interação. Daí resulta que a
in-
teração se torna o processo social mais importante.
A interação só é social quando existem símbolos e significados em jogo,
mesmo que
as pessoas não tenham plena consciência desses componentes da situação
social.
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Centro Universitário Claretiano
© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
55
A Sociologia foi a primeira ciência a preocupar-se com a
complexa rede de instituições sociais e grupos que constituem a
sociedade, em vez de estudá-la em um aspecto particular. Ela foi,
também, a primeira ciência a preocupar-se com a vida social como
totalidade. Sua concepção básica é a de estrutura social: entendida
como interação social sistemática de formas de comportamento e
ação social. Daí que aspectos da vida social, como, por exemplo, a
família, o parentesco, a religião, a moral, a estratificação social e
a vida urbana, despertam o seu interesse e se tornam objeto de
reflexão, estudos e pesquisas.
Anthony Giddens (2001, p. 2) escreveu, em seu livro Em de-
fesa da Sociologia, que a maior parte dos debates que "fazem as
manchetes intelectuais hoje, nas ciências sociais e mesmo na área
de humanidades, é dotada de forte carga sociológica", isso porque
os autores da Sociologia foram os pioneiros em discussões cientí-
ficas sobre a desigualdade social; as classes sociais; o pós-moder-
nismo; a sociedade pós-industrial; a sociedade da informação; a
globalização; as transformações da vida cotidiana, do gênero e da
sexualidade; a natureza mutável do trabalho e da família; a etnia.
Como a nossa vida apresenta várias dimensões (política,
econômica, educacional, religiosa, jurídica e moral), as quais se
desenvolvem e ocorrem nos momentos em que estamos intera-
gindo uns com os outros – essas interações são o objeto de estudo
da Sociologia. É a essa dimensão social da nossa conduta humana
e das relações sociais que ela está associada. Nesse caso, se che-
garmos a compreender a Sociologia como uma forma de pensar,
estaremos adquirindo elementos para enxergar a realidade social.
Poderemos, então, observar que todas as interações sociais estão
relacionadas entre si, embora possamos separá-las para:
• Estudar isoladamente um grupo de interações específicas
que constituem uma dimensão do social; nesse caso, fa-
tos econômicos, fatos educacionais, fatos religiosos, fatos
familiares etc.
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© Sociologia da Educação
• Tentar estabelecer os limites dos relacionamentos sociais
que compõem a existência humana.
Caso utilizemos nosso conhecimento sociológico para en-
tender a realidade, conseguiremos compreender os fenômenos
em sua totalidade e conseguiremos, também, estabelecer ligações
de fatos cotidianos com a dinâmica da sociedade como um todo.
O texto Adolescentes viciados em SMS ou Messenger (exem-
plo de Portugal), que apresenta fatos cotidianos que se ligam com
a evolução da sociedade como um todo, é exemplo de um modo
sociológico de entender a realidade porque constitui uma possi-
bilidade de estabelecermos relação entre a abertura de formas de
sociabilidade, a revolução científico-tecnológica e o aumento das
dificuldades nas interações educacionais, seja na família, seja na
escola.
Adolescentes viciados em SMS ou Messenger–––––––––––––
“Não conseguiria”. É assim que Leonor Silva, 18 anos e utilizadora de
telemóvel
desde os 14, descreve como seria o cenário de 24 horas sem o aparelho.
Leonor não está isolada no que diz respeito ao “vício” dos SMS. Em maio de
2007, Pedro Quelhas Brito, um professor da Faculdade de Economia da Univer-
sidade do Porto, juntou 207 voluntários de quatro escolas desta cidade,
dividiu-
os em dois grupos, pré-adolescentes de 11 e 12 anos e adolescentes de 15 e
16 anos, e concluiu que os primeiros enviavam uma média de 84,2 SMS por
semana, e os segundos, 235,6. Ao final do mês, os mais velhos remetiam,
assim,
cerca de mil mensagens.
Entre as várias justificações, disseram que o fazem porque é mais barato,
rápido,
impessoal e podem escrever com uma terminologia que entendem. Um ou outro
respondeu que era útil para bullying. “É discreto e podem controlar o
momento
em que enviam e respondem às mensagens”, explica Pedro Quelhas Brito.
Esta dependência dos SMS é potenciada pelos tarifários das operadoras, que
oferecem mensagens escritas de borla. Uma rapariga norte-americana de 13
anos no último mês enviou 14.258 mensagens de texto. Quando o pai da jovem
abriu a factura mensal de 440 páginas e no valor de dois mil dólares,
pensou que
se tratasse de um engano da operadora. Não era. Pegou numa calculadora e
descobriu que, descontando as horas de sono, a sua filha, Reina, tinha
escrito,
em média, um SMS a cada dois minutos.
Na opinião da psicóloga Teresa Paula Marques, “tudo o que é excessivo cai no
campo do patológico e a dependência dos SMS não foge a essa regra”. “Se o
jovem passa a privilegiar o seu uso em detrimento dos contactos pessoais,
acaba
por não aprender a dar-se com os outros”, defende. Também para a psicóloga
Susana Gonçalves, este comportamento, que se pode tornar “compulsivo”, é
pre-
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© Breve Introdução à Sociologia: Evolução e Método
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ocupante. Nas suas consultas, depara-se com pais apreensivos por verem os
filhos quase sempre agarrados aos telemóveis. E também com casos de jovens
em que o vício interfere nos estudos. “Há crianças que não dormem sem o
tele-
móvel ao lado, e, se se esquecem dele, é um drama”.
E porque o excesso de comunicação via SMS – ou Messenger – pode promover
o isolamento dos adolescentes e minar o desempenho escolar, Susana Gonçal-
ves aconselha os pais a “passarem tempo de qualidade com os filhos e a
apren-
derem a comunicar-se” (BARBOSA, 2010).
––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Os exemplos apresentados nesse texto ampliam as condi-
ções de explicarmos o surgimento de novas formas de sociabilida-
de que substituem as tradicionais relações de convivência e fazem
que adolescentes evitem um contato face a face em função das
transformações científico-tecnológicas, que, nesse caso, foi o tele-
fone celular ("telemóvel" para os portugueses).
No entanto, precisamos ficar atentos, porque todo problema
social, quando cuidadosamente estudado, apresenta uma com-
plexidade muito maior do que aquela que é visível. É preciso ob-
servar as forças sociais, as tendências e os padrões que podem ser
generalizados. Para isso, é necessário um esforço intelectual para
observar e enxergar a conexão entre a vida cotidiana e os proble-
mas sociais, entre o indivíduo e a sociedade mais ampla.
Com essas breves reflexões em torno da Sociologia como
ciência, queremos apenas mostrar que essa iniciação trata, tão so-
mente, de elementos mais gerais da Sociologia. Caso queiramos
adotar o modo sociológico de entender a realidade social, precisa-
remos ir além; precisaremos, necessariamente, de familiaridade
com os conceitos essenciais e com as principais teorias sociológi-
cas.
É importante saber que, embora a Sociologia se constitua
como ciência, ela não tem um corpo teórico unificado que seja
aceito de forma unânime. Há divergências de opiniões entre seus
pensadores, assim como ela também comporta consenso, o que,
no seu conjunto, termina por oferecer diferentes perspectivas que
contribuem para o reconhecimento da vida social.
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© Sociologia da Educação
A Sociologia contemporânea tem vínculos indissolúveis com
os seus precursores. Esses vínculos existem justamente porque
não há uma teoria única, uma teoria que a unifique, e é isso que a
torna tributária da orientação marcada pelos pensadores que lhe
lançaram as bases. Assim, mesmo os estudos introdutórios à So-
ciologia, para serem mais consistentes, requerem o conhecimento
de determinadas obras básicas e de determinadas investigações
importantes, o que exige familiaridade com os conceitos essenci-
ais e com as principais teorias.
É impossível compreender a Sociologia contemporânea sem
ir, por exemplo, até Augusto Comte, Émile Durkheim, Karl Marx e
Max Weber. Ela ainda integra o pensamento de seus precursores e
continua, em parte, estudando, analisando, pesquisando e reflet-
indo sobre as mesmas questões sociais que foram por eles levan-
tadas.
O pensador francês Auguste Comte (1798-1857) idealizou a
expressão “sociologia”. Ele tentou estabelecer o estudo da socie-
dade sobre bases científicas, a partir das quais o mundo social de-
veria ser entendido como ele é, e não como o imaginávamos ser.
Embora Comte estivesse fortemente motivado a adotar o método
científico no estudo da sociedade, ele era um pensador que re-
jeitava as rápidas mudanças que ocorriam na sociedade francesa,
o que criava uma tensão na sua obra.
Quando se mudou de uma pequena cidade do interior da
França para Paris, chocou-se com as transformações provocadas
pelas forças democráticas liberadas pela Revolução Francesa, pe-
los estágios iniciais acelerados da industrialização e pelo rápido
crescimento das cidades. Diante dessas realidades, Comte defen-
deu a ideia de que as mudanças deveriam ser lentas, e era preciso
preservar o que era tradicional na vida social, apresentando, as-
sim, uma visão de sociedade ideal.
Auguste Comte não chegou a conduzir uma pesquisa, em-
bora enaltecesse o valor dos métodos científicos. Assim como ele,
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o inglês Herbert Spencer (1820-1903), outro dos fundadores da
Sociologia, também não conduziu pesquisas científicas. Influencia-
do pela Teoria da Evolução de Charles Darwin, Spencer acreditava
que, assim como os organismos biológicos, as sociedades se com-
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punham de partes interdependentes. Por exemplo, as famílias, os
governos e a economia seriam partes interdependentes.
Reiterando as ideias de Norbert Elias, expostas na introdução
desta unidade, podemos perceber que, na obra dos três pensa-
dores da Sociologia Clássica (Karl Marx, Émile Durkheim e Max
Weber), em graus diversificados, se observa a mesma tensão entre
a importância da ciência e uma visão de sociedade ideal. Eles pro-
curaram explicações diante das grandes transformações ocorridas
na Europa para a emergência do capitalismo industrial e apresen-
taram possibilidades para melhorar a vida das pessoas.
Assim como Comte e Spencer, Marx, Durkheim e Weber pos-
tularam o método científico nas suas pesquisas; no entanto, foram
além e tentaram estabelecer caminhos alternativos, propondo
prescrições para combater os males sociais nas sociedades em que
viviam.
Com relação a Augusto Comte, organizador dos primeiros
conceitos sociológicos, embora não se possa pretender que, no
século 21, sua teoria sociológica constitua fundamento conceitual
para os cientistas sociais, é verdade que muitos dos seus temas
continuam na ordem do dia com o advento do estudo aprofun-
dado do comportamento animal, com a Biossociologia e com a
Etologia. São contribuições de Comte para o desaparecimento de
barreiras estanques entre a natureza e a cultura.
7. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Sugerimos que você procure responder, discutir e comentar
as questões a seguir, que tratam da temática desenvolvida nesta
unidade.
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© Sociologia da Educação
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para
você testar o seu desempenho. Se você encontrar dificuldades em
responder a essas questões, procure revisar os conteúdos estuda-
dos para sanar as suas dúvidas. Esse é o momento ideal para que
você faça uma revisão desta unidade. Lembre-se de que, na Edu-
cação a Distância, a construção do conhecimento ocorre de forma
cooperativa e colaborativa; compartilhe, portanto, as suas desco-
bertas com os seus colegas.
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu
desempenho no estudo desta unidade:
1) Quais são as circunstâncias históricas presentes no contexto do
surgimento
da Sociologia?
2) Por que a Sociologia é considerada “Filha das Revoluções”?
3) Por que os levantamentos sociais se tornaram importantes para a Sociolo-
gia?
4) Quais foram os temas em que os autores da Sociologia foram os pioneiros
em discussões científicas?
8. CONSIDERAÇÕES
Em uma síntese do que foi exposto nesta unidade, com rela-
ção ao surgimento da Sociologia como ciência, podemos apresen-
tar as seguintes questões:
1) No contexto do conhecimento científico, a Sociologia
nasce como um conjunto de ideias que se preocupa com
o processo e com o desenvolvimento da sociedade capi-
talista. Nesse sentido, ela é fruto da Revolução Industrial
e da Revolução Francesa. Ela buscou, justamente, res-
postas às questões colocadas pelas transformações de-
correntes das revoluções que, em um primeiro momen-
to, alteraram a sociedade europeia e, depois, o mundo
todo.
2) A Sociologia como "ciência da sociedade" não surgiu
de repente e, também, não resulta da reflexão de um
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único autor; ela é resultado de um conhecimento que
se desenvolve a partir das grandes transformações que
provocaram a desagregação do sistema feudal e a con-
solidação do sistema capitalista. Serão essas as transfor-
mações que constituirão o "pano de fundo" para o mo-
vimento intelectual que alterará as formas de explicar a
sociedade daí para frente.
9. E-referências
Figura 1 – Os ludistas em ação: quebrando máquinas: disponível em: <
http://www.
radardanet.com/movimento-ludista-na-revolucao-industrial>. Acesso em: 15
dez. 2010.
Sites pesquisados
BARBOSA, André. Adolescentes viciados em SMS. Adaptado do site disponível
em:
<http://socioaprendiz.blogspot.com/2009/01/adolescentes-viciados-em-sms.html
>.
Acesso em: 15 dez. 2010.
SUA PESQUISA. Ludismo. Disponível em: <
http://www.suapesquisa.com/industrial/
ludismo.htm>. Acesso em: 15 dez. 2010.
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Como referências bibliográficas, apresentamos aquelas uti-
lizadas para fundamentação do texto acrescidas de outras que se
apresentam como sugestões para ampliar os horizontes sobre o
tema. No entanto, é preciso deixar claro que aqui está uma sele-
ção de textos e, como toda seleção, corre o risco de ser reducio-
nista. Sendo assim, não se deve contentar apenas com o que está
aqui sugerido. Depois de consultada esta bibliografia, recorra aos
inúmeros livros que estão nas estantes das bibliotecas à espera,
aguardando que você lhes dê vida.
BOTTOMORE, T. B. Introdução à Sociologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar;
Brasília: Instituto
Nacional do Livro, 1973.
COHN, G. Max Weber. 4. ed. São Paulo: Ática, 1989.
DAHRENDORF, R. Sociologia e sociedade industrial. In: FORACCHI, M. M.;
MARTINS, J. S.
Sociologia e sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos,
2000, p. 119-125.
DIAS, R. Introdução à Sociologia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.
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© Sociologia da Educação
ELIAS, N. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
FERNANDES, F. Conceito de sociologia. In: CARDOSO, F. H.; IANNI, O. Homem e
sociedade.
7. ed. São Paulo: Nacional, 1971, p. 25-34.
GIDDENS, A. Em defesa da Sociologia: ensaios, interpretações e tréplicas.
São Paulo:
Unesp, 2001.
KOENIG, S. Significado e âmbito da Sociologia. In: ______. Elementos de
sociologia. 4. ed.
Rio de Janeiro: Zahar, 1975, p. 11-19.
MARTINS, C. B. O que é Sociologia. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
MORAIS FILHO, Evaristo (Org.). Auguste Comte: sociologia. São Paulo: Ática,
1983.
VILA NOVA, S. Introdução à Sociologia. São Paulo: Atlas, 2000.
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Faag.